A técnica operativa
A técnica operativa caracteriza-se por estar centrada na tarefa. Toda a situação de aprendizagem – estendendo-se a noção de aprendizagem a todo processo de interação, a todo tipo de manipulação ou apropriação do real, a toda tentativa de resposta coerente e significativa às demandas da realidade (adaptação) – gera nos sujeitos dois medos básicos, duas ansiedades básicas que caracterizamos como medo da perda e medo do ataque:
a) medo da perda do equilíbrio já obtido na situação anterior,
b) medo do ataque da nova situação, na qual o sujeito não se sente adequadamente instrumentado.
Os dois medos que coexistem e cooperam, configuram – quando aumenta seu montante – a ansiedade diante da mudança, geradora de resistência à mudança. Tal resistência à mudança se expressa em termos de dificuldades na comunicação e na aprendizagem.
O desenvolvimento do grupo vê-se obstaculizado pela presença de estereótipos no pensamento e na ação grupal. A rigidez e o estereótipo constituem o ponto principal de intervenção. Centra-se aí a tarefa (do coordenador e do grupo) que se realiza por meio da abordagem e resolução de medos básicos, num trabalho compartilhado de esclarecimento grupal.
Este esclarecimento implica a análise, no “aqui e agora” da situação grupal, dos fenômenos de interação, dos processos de adjudicação (atribuição) e assunção de papéis, de formas de comunicação, em relação com as fantasias que geram estas formas de interação, os vínculos entre os integrantes, os modelos internos que orientam a ação (grupo interno) e os objetivos e a tarefa prescrita do grupo.
Um passo importante nesse processo de esclarecimento, de aprender a pensar, é um trabalho voltado para a redução do índice de ambigüidade grupal, pela resolução dialética das contradições internas do grupo, que tomam a forma de dilema, paralisando a tarefa através da confrontação entre indivíduos e subgrupos. A situação dilemática esteriliza o trabalho e opera como defesa frente à situação à mudança.
A análise sistemática das contradições (análise dialética) constitui a tarefa central do grupo. Essa análise visa, basicamente, investigar a infra-estrutura inconsciente das ideologias que se poem em jogo na interação grupal. Essas ideologias, sistemas de representações com grande carga emocional – podem não formar um núcleo coerente nem cada sujeito, nem em cada unidade grupal. A coexistência interna, no grupo e no sujeito, de ideologias de sinais contrários, determina diferentes montantes de ambiguidade, o que se manifesta como contradição e estancamento da produção grupal (estereotipia).
A técnica operativa visa a que o grupo constitua um Esquema Conceitual Referencial e Operativo-ECRO de caráter dialético, no qual as contradições relativas ao campo de trabalho devem referir-se ao próprio campo da tarefa grupal (práxis). A técnica operativa de grupo, seja quais forem os objetivos propostos no grupo (diagóstico institucional, aprendizagem, criação artística, planificação, etc.) em como finalidade que seus integrantes aprendam a pensar em uma co-participação do objeto do conhecimento, entendendo-se que pensamento e conhecimento não são fatos individuais, mas produções sociais.
O conjunto de integrantes, como totalidade, aborda as dificuldades que se apresentam em cada momento da tarefa obtendo situações de esclarecimento, mobilizando estruturas esteriotipadas que operam como obstáculos para a comunicação e a aprendizagem, e que são geradas como técnicas de controle da ansiedade diante da mudança.