"Toda produção que tem como objetivo os interesses dos produtores pressupõe uma forma coletiva de produção. Ela própria já é uma forma de auto-organização das necessidades sociais" (ENZENSBERGER, 2003, p. 56).
Mídia radicalAquela atividade de comunicação "... que expressa uma visão alternativa às políticas, prioridades e perspectivas hegemônicas" (DOWNING, 2002, p.21). O autor se interessa pelas … experiências radicais em que as mídias foram praticadas fora de sua expressão industrial hegemônica, por sujeitos sociais movidos por projetos de intervenção crítica, expressando posições alternativas às políticas dominantes, mesmo quando estas experiências são comparativamente menos extensivas que aquelas praticadas nos setores do entretenimento de massa amparados pelo capital global (DOWNING, 2002, p.10).
Segundo Downing (2002, p.27-30), a mídia radical se define primeiramente por expressar uma visão alternativa às políticas, prioridades e perspectivas hegemônicas, ou seja, é uma comunicação ativista, engajada. Outra característica é ser, geralmente, de pequena escala: estabelece conversações coletivas em setores, com grupos, não se dirige a toda a sociedade. Alimenta comunidades de afinidades que funcionam como caldeirões efervescentes de idéias e de iniciativas e é nutrida por elas. Estes sistemas de comunicação autônoma são como mini esferas públicas das quais emergem mudanças sociais e culturais em muitas direções (libertárias, conservadoras, reacionárias, oposicionistas, situacionistas, etc).
O autor constrói seu conceito de mídia radical como um campo de confluência de culturas populares, cultura de massa, culturas de oposição e como uma produção de audiências ativas, Audiências ativas são aquelas co-produtoras dos conteúdos veiculados na mídia da qual são também públicos. Ele chama a atenção para o fato de que audiências estáticas e domésticas são apenas uma das formas de apropriação do conteúdo da mídia e que são característica da comunicação de massa produzida e distribuída pela mídia comercial. Critica a forma como a questão das audiências é tratada usualmente, com foco no resultado momentâneo, destacando a necessidade de vincular a noção de audiência à escala de tempo. Segundo o autor, esta vinculação é particularmente necessária na avaliação da mídia autônoma engajada numa proposta de mudança social, pois seu conteúdo sugere a necessidade de mudanças e, embora seja claro que estas mudanças sejam muitas vezes inatingíveis no momento presente, o seu papel é também manter a visão de como as coisas podem ser até que sejam exeqüíveis. Audiências ativas
São modelos de comunicação em rede, construídos a partir do princípio da reciprocidade: um site de notícias escrito e distribuído por seus leitores-produtores, uma revista eletrônica que publica notícias enviadas pelos leitores ou listas de discussão de comunidades virtuais como fontes para pautas. As formas da subversão são variadas e estimulam a interatividade, criando uma audiência cada vez mais ativa e modificando radicalmente a relação emissor-receptor. A produção da informação e da comunicação é realizada com a participação da audiência e atende seus interesses e necessidades. Uma audiência que elabora e molda os produtos da mídia e não apenas absorve passivamente as mensagens. As audiências ativas são identificadas por Downing (2003) como produtoras da mídia radical. No mundo empresarial, o termo audiência designa um grupo específico de leitores, espectadores e ouvintes, derivado das estratégias de mercado e discurso das empresas de cinema, rádio, editores e anunciantes. No contexto da mídia autônoma, as audiências são redefinidas como usuários ativos e diversificados da mídia, libertando o conceito de sua bagagem puramente mercadológica. A produção coletiva se dá por meio da exploração dos recursos de interatividade mediada por tecnologias digitais e da organização em rede. O ativismo, a produção coletiva e as audiências ativas são três fenômenos interdependentes e de modelagem recíproca no processo da mídia autônoma e podem ser identificados nos discursos dos próprios produtores sobre as suas experiências. Fontes: DOWNING, John. D. H. Mídia radical: rebeldia nas comunicações e movimentos sociais. São Paulo. Editora SENAC, 2003.ENZENSBERGER, Hans Magnus. Indústria da consciência. In:___Com raiva e paciência: ensaios sobre Literatura, Política e Colonialismo. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 1985. p.77 86. _________________Elementos para uma teoria dos meios de comunicação. São Paulo. Conrad Editora do Brasil. 2003. AMARAL, Vivianne. Insubordinação na mídia: jornalismo produzido por redes na internet. Disponível em http://www.rits.org.br/redes_teste/rd_tmes_set2005.cfm